segunda-feira, 6 de abril de 2009

A Escola da Vida




Aprendi que não devo guardar as ofensas que eu receber, devo me lembrar apenas dos elogios.
Espero um dia aprender a fazer isso.
Aprendi que o tempo não pára...
Felizmente, senão minhas angústias seriam eternas...
Descobri que a pior dor é aquela que nos aprisiona em nossos arrependimentos do passado...
Aprendi que nem sempre há tempo para consertar meus erros, e que quando o tempo acaba é hora de me conformar, só assim posso seguir em frente.
Descobri que de fato, só damos valor ao que já não temos mais.
Aprendi que nem sempre as pessoas irão me amar como eu espero que elas amem, mas isso não significa que elas não me amem o máximo que possam...
Descobri o verdadeiro significado da palavra saudade.
Sentir saudade é sentir medo de ser esquecido.
Aprendi que nem sempre (embora muitas vezes) o mundo dá voltas e o jogo vira... Descobri que amores mal resolvidos serão eternamente amores.
Descobri que o ódio não é o oposto do amor, é apenas o outro lado da mesma moeda.
Aprendi que cada fim é apenas o começo de mais um ciclo, de uma nova busca....
E são essas buscas incessantes que nos movem para que o amanhã seja sempre mais esperado que ontem...
Estou aprendendo a ter paciência com o tempo...
As vezes ele demora muito para passar...
Aprendi o quanto a matemática da vida é fascinante e sutilmente irônica...
A cada dia que somamos a nossa existência, subtraímos um dos que ainda nos restam para viver...
E finalmente, aprendi que vivo e sigo sem saber de nada...
Buscando algo que nem sei o que é...
Perdida em sonhos e criando meus próprios monstros... Me aventurando, atirada a sorte...
E quão mágico é esse aprendizado na escola da vida...


Bárbara Romanelli


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Parabéns e Adeus



"Parabéns pra você..."...Cantarolo num tom de brincadeira ao telefone. Do outro lado da linha, primeiro sarcasmo, depois sadismo, e por último, silêncio... E foi só isso que ouvi nesse dia que não teve fim: Silêncio. E eu esperei... E o sol foi se entregando... Até que sumisse de vez - mesmo que fosse para resplandecer novamente, altivo e implacável como sempre. Ainda assim ele sabe que o seu tempo acaba - porém se renova, que não pode brilhar sempre, mas que quando brilha, nada pode ofuscá-lo. Por isso ele se retira sem luta, sem pedido... Nobre e certo. Eu também fui perdendo o brilho. E a noite chegou, e o silêncio ainda não havia se calado. E o presente que eu comprei? E o cartão que eu escrevi? E o tempo (sentimento) que eu investi? O embrulho havia se rasgado, o cartão havia se borrado em meioo as minhas lágrimas... Tudo porque me faltou um alô. Mas também pudera, hoje nem é o meu aniversário... Não sou eu que estou sozinha. Não sou eu que estou rodeada de pessoas (e sozinha). Não sou eu que finjo que não sofro por não saber chorar... E daí? Não posso mais perder meu tempo. Não tenho porque continuar pedindo... Pedir o que, se fui eu quem sempre me doei? Pra que ficar lutando? Se a manhã já está chegando, e logo logo chega o meu momento de brilhar... Mais uma vez. Mas antes que eu me vá: Parabéns pra você... E adeus pra nós dois!


Bárbara Romanelli

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Fragmentos Meus



Pensamentos e um poema da saudosa Florbela Espanca, que traduz muito bem um fragmento do que sou em minha muitas e complexas facetas...

" (...) O meu mundo não é como o dos outros; quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta,atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!"

Desejos Vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…



Florbela Espanca

Essa Noite Não...


Essa Noite Não...

Quando tudo está perdido,
Sempre existe um caminho.
Quando tudo está perdido,
A vida nos dá uma nova oportunidade...

Mas não me diga isso.
Essa noite não...

Hoje minha tristeza,
Não é passageira.
Hoje tive febre,
A tarde inteira.
E agora,
Cada estrela me parece uma lágrima...

Você é tão jovem!
Ainda tem uma vida inteira...
Você é tão bela!
Amores não irão te faltar.
Tudo passa,
A vida vai continuar...

Mas não me diga isso.
Essa noite não...

Minha juventude,
Não cicatrizou as feridas da maturidade.
Minha beleza,
Não encantou seu coração gélido.
A vida continua,
Sim eu sei...
Ele se foi,
Mas essa dor insiste em ficar.

Queria ser como os outros,
Aceitar as armadilhas da vida.
Ou fingir estar sempre bem...
Ver a "leveza" da dor com bom humor...

Amanhã você vai rir disso tudo menina!
Ora! Não seja tola,
Ele não merece suas lágrimas!
Eu te avisei que você se machucaria!

Mas não me diga isso.
Essa noite não...

Nada disso tem graça.
Nem hoje e nem amanhã.
Não sou mais uma menina!
Meninas não sabem o que significa amar...
As lágrimas não são dele,
Nem pra ele.
As lágrimas são minhas...
Essa dor é minha.
Não existem avisos,
Nem conselhos.
Somente riscos.
Arriscar-se é o mesmo que viver...

E aí eu minto.
Para mim e para os outros...

Não, eu não estava chorando.
Acho que você tem razão.
Eu nem o amo de verdade...
Daqui a pouco isso passa.
Já estou melhor,
Amanhã é um outro dia.
Não é?...

Eu nem sei porque me sinto assim...
De repente vem um anjo triste,
E fica perto de mim...

E essa febre que não sara,
E esse aperto que não para,
E essa saudade que não passa...
Eu,
Todo mundo,
E o meu sorriso sem graça...

Não pensa mais em mim,
Nem sequer lembra-se do meu sabor...
Mas obrigado,
Por me dar atenção...
Por fingir preocupação.

Quando tudo está perdido,
Sempre existe um caminho.
Quando tudo está perdido,
A vida nos dá uma nova oportunidade...

Mas não me diga isso,
Não essa noite.

A verdade é que quando tudo está perdido,
Eu me sinto tão só...
Quando tudo está perdido,
Não quero mais ser quem eu sou...

Não precisa me dar atenção,
Não precisa fingir preocupação.
Isso acaba por ferir ainda mais meu coração...
Ainda assim devo te agradecer,
Por me libertar.
E principalmente por me ensinar,
Que essa noite vai passar...



Bárbara Romanelli

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Seu Caminho

Esse texto não é de minha autoria, e sim de uma pessoa muito querida e sensível. Meu amigo, Ricardo Araujo. Ele me enviou esse texto despretenciosamente em uma de nossas conversas no M.S.N. (Mal Socialmente Necessário, rsrs!) e achei tão oportuno e cabível ao que sinto neste momento que vou dividí-lo com vocês.



Seu Caminho


Quando as folhas caem no jardim
Anunciam o futuro que já chegou.
O tempo passa e nada é ruim
O céu ainda é cinza, mas a chuva já passou.

No fim da rua me encontro em silêncio
Perdido no mundo dos meus pensamentos.
A luz se apaga e o sol toca o chão,
O escuro clareia minha inspiração...

Quem nunca passou a noite em claro?
Pensando em um amanhã que já passou?
Já não entende que algo está errado.
Quero ficar só, e me encontrar em uma nova canção.


Ricardo Araujo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Inspiração



Já não tenho tanta inspiração. Faz tempo que não me entrego as palavras. Mas eu precisava disso. Para aliviar meu coração. Dizem que os escritores se inspiram motivados por suas emoções. Sempre acreditei nisso. Até agora. Estou transbordada de sentimentos. Que vão do amor a dor, passando pela saudade... Motivada pela esperança, receosa com o futuro, conformada com o pouco... Sentimentos definitivamente não me faltam. Como poderia faltar emoção para alguém tão passional quanto eu? Talvez me falte inspiração por estar sendo consumida, esgotada pela incerteza. Quando vou aprender que não se pode ter certeza de nada? Ou melhor, quando vou aceitar? Com seu jeito prático e seguro de sempre, ele me pediu calma. Então, eu finjo ter paciência. E mesmo agora, em meio a madrugada vazia, onde tudo o que me falta é teu cheiro, teu sabor... Quando até o meu corpo me pede calma, minha alma não pára. Desassossega meus sentidos e faz dos segundos, horas sem fim. E o pensamento não consegue vagar, esquecer... Faço planos para nosso reencontro que se aproxima. Imagino cenas... Feho os meus olhos para ver os dele. Escrevo textos desqualificados... Invento, fantasio, sonho... E o que eu espero dele? Ora, o que esperam todos os corações inquietos: Amor. Somente amor.

sábado, 4 de outubro de 2008

O Anjo Mais Velho

Esse texto na verdade é uma música do grupo Teatro Mágico. Vale a pena ser ouvida, não só pela melodia, como pela delicadeza e originalidade... Aí está o link do clipe:


http://www.youtube.com/watch?v=0ofHYzVLrII&feature=related


Tomei a liberdade de fazer uma adaptação com pequenas alterações...





O ANJO MAIS VELHO



O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete
A cena se inverte
Enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto...
Depende de como você vê o novo, o credo
A fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você...




(Fernando Anitelli)

Adaptado por Bárbara Romanelli

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Amor Bandido



Amor bandido
Roubou-me inteira.
Sou refém dos meus próprios desejos.
O cativeiro é qualquer lugar.
As algemas estão cada vez mais apertadas.
Já cortam a carne.
Apareceu na penumbra...
Sorrateiro, seguro.
Sutil, mas firme.
Avassalador, intenso.
Insano, perturbador.
Único.
Um tiro certeiro.
Ele tem nome.
Tem vulgo.
Face, cheiro, sabor...
Ele sabe ser cruel, impiedoso.
Na verdade é só mais um solitário.
Incompreendido até por ele mesmo.
Prisioneiro das próprias escolhas.
Um homem que intimida.
Apenas um garoto.
Sempre armado.
Mesmo que seja o espírito.
Fez com que eu vestisse minha armadura.
Meu Deus! Como ela pesa!
E quem diria...
Nessa história, o bandido também virou refém.
Não pode fugir.
Não quer fugir...
E assim, nos tornamos parceiros.
Cúmplices...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Chá das cinco


Ela não tinha mais saída. Pegou-se fugindo de si mesma. Na verdade fugia dele, mas ele já fazia parte dela. Ela se sentia como uma avenida comprida... Não havia fim, porém era estreita. Estava encurralada apesar de infinita. Ela o amava de uma maneira insana, aflita. Mas como isso era possível? Nem ela sabia. Mas não queria explicar nem tão pouco entender, queria apenas se libertar, ou se ver presa de vez. Era o meio termo que a consumia. E já não havia mais motivo para lutar, nunca houvera sequer batalha. Ela sempre estivera derrotada, apenas fingindo vencer. Ele a venceu no primeiro olhar. Agora ela estava ali, tomando seu habitual chá das cinco, checando seus e-mails... E o tempo não passava. As horas eram tão mais demoradas quando aliadas a distância. Do que adiantavam tantos quilômetros, se o pensamento ficara lá? Ela sentia medo. Havia se entregado demais. Era tarde para se resguardar. Só haviam duas saídas: se entregar, desarmada, revolta por seus sentimentos ou continuar fugindo, se escondendo atrás de sua covardia. Eu que nunca fui covarde, decidi voltar para ela. Não vou mais fugir de mim mesma. E ela agora sou eu, novamente entregue...

sábado, 22 de março de 2008

Mil Grau


Mil Grau


Essa madrugada eu me deitei. Fechei meus olhos. Não dormi. São poucas as coisas que me tiram o eixo, sou centrada.
Paixão. Tá aí uma dessas poucas coisas. Aaahh! Nem sei se o nome é esse. Paixão soa tão comum... E ele pode ser tudo, menos comum. Nossa história – pequenina ainda, porém intensa – é singular desde o primeiro olhar. Pode acreditar. No momento em que o vi, no fundo eu já sabia que não poderia fugir. Ainda assim, tentei. Tentativas vãs.
Não pense que estou cega. Ninguém fica. Vejo ele como realmente é. Por isso me apaixonei. Porque ele é real. Os seus defeitos fazem uma de suas maiores qualidades: Autenticidade. Embora ele tenha várias faces. Não por falsidade, por necessidade. A verdade é que todos nós temos mil e uma faces. A diferença é que ele assume cada uma delas. Até as mais ocultas... As mais sombrias... Parece que lê os meus pensamentos... Ele sabe meus medos, meus anseios, desejos... Não posso negar que confio nele. Mesmo que eu tenha dito o contrário. Sei que o decepcionei. É muito ruim colocarem em questão nossa credibilidade. Peço desculpas. Mas como ele diz: “Desculpas não consertam.” O pior é que ele está certo. Quase sempre ele está. Falei algumas bobagens, espero que ele saiba que não passam disso. Bobagens.
Lembre-se: Paixão não cega. Mas enfraquece, quase domina. Esqueça esse “quase”.
Quando estou com ele, o tempo pára e as pessoas desaparecem naquele segundo que vira tempo. E todo tempo perto dele parece pouco. Ele me olha nos olhos. Sempre. Ele dorme ao meu lado, digamos assim, desprotegido. Pode não parecer muito pra você. Mas se você soubesse, certamente me entenderia. Não precisa entender. Isso é apenas uma confissão para mim mesma. Talvez para ele também.
Ele é esperto, sagaz, e está sempre “na atividade”. Não, não. Não estranhe o dialeto. Você deve estar achando inadequado para uma “patricinha”. Pensando melhor, de fato é inadequado. É muito mais apropriado, quando ele fala e eu apenas escuto... E naquele momento os dois lados da ponte já não fazem diferença... Nem quanto tempo faz, nem como, nem porque... A diferença quem fez foi ele. Somente ele. Quem ele é. Só falta ele acreditar nisso. Aí sim, vai ficar tudo “mil grau”... Se é que você me entende...



Bárbara Romanelli

quinta-feira, 13 de março de 2008

Vida



Vida: “O espaço de tempo que vai do nascimento a morte; existência, força, vitalidade.” Essa é a definição de "vida" no dicionário. Absurdo! Vida é muito mais que isso. Vida é todo o pulsar do universo. Vida é uma flor desabrochando em um jardim, ou um capim de beira de estrada. É um animal selvagem, ou o peixinho que vive naquele aquário que decora seu escritório. Existe vida até no sol, nas artes e nos sonhos... Basta você sentir...
Mas nenhuma se compara a minha ou a sua. Cada um com seus desejos, suas marcas, experiências... Histórias únicas, singulares do começo ao fim. Nenhum tipo de existência é mais fascinante que a do ser-humano. Tão pueril na teoria, tão intrincada na prática.
A concepção já exala vida. Uma criança ainda no ventre se preparando para sua jornada já é vida. Estudos comprovaram que fetos escutam sons e têm percepção aguçada em relação ao tato reagindo quando expostos a esses estímulos. Então qual é o “start” da vida? O nascimento? A concepção? Ou seria antes mesmo disso? Mais que corpo, somos alma, energia, áurea, caminho, emoção, crença, conhecimento, escolha... Vida!
Sonhar, realizar... Acreditar em si mesmo, acreditar nos outros... Decepcionar-se. E ainda assim acreditar mais uma vez! Apaixonar-se, amar alguém... Se amar... Sentir medo. Superar. Ser corajoso. Não há coragem sem medo. Magoar e ser magoado. Rir de si mesmo. Guardar fotografias. Sentir saudades... Errar e se arrepender – ou não. Esquecer de muitas pessoas... Se lembrar para sempre de algumas. Dizer nunca mais e voltar atrás. Ser forte quando não se espera ser. Ser fraco quando não se pode ser. Ter fé... Acreditar que tudo será melhor amanhã. Tudo isso pulsa vida! Tudo parece tão simples... Mas não é. E você também sabe disso.
A matemática da vida é tão complexa que a cada dia que somamos aos que vivemos, subtraímos um dos que ainda nos restam para viver... Essa sede de viver não são todos que sentem. Eu sempre senti minha garganta seca. Não sei realmente o quanto isso é bom... Ou ruim.
Eu poderia escrever páginas e mais páginas... Tentar explicar grandes coisas... Ou mesmo as pequenas – quase sempre mais complexas... Poderia descrever emoções, sentimentos... Poderia citar estudos, filosofias, canções... Mas de nada adiantaria. Como eu poderia no meu simples entendimento, explicar ou mesmo definir algo tão grandioso? Não sou audaz a esse ponto. A vida jamais poderá ser entendida, ou explicada. Fazemos parte de um sistema que não compreendemos e muito menos controlamos. E por isso é tão fascinante viver. Deixemos de lado as inquietações, as dúvidas, e vamos simplesmente viver, porque os anos são apenas segundos quando estamos perto do fim. Afinal como dizia o mestre Cazuza: “... Vida louca vida. Vida breve... Já que eu não posso te levar, quero que você me leve...”.
Em tempo: Aproveito para me retratar em relação à definição de “vida” no dicionário. Não é absurda. É simplesmente limitada ao que podemos dizer. Afinal qualquer definição, qualquer tentativa de descrevê-la em palavras, serão apenas meras palavras...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Pé na Estrada


Pé na Estrada


Malas prontas e pé na estrada. Na bagagem uma muda de blusinhas e uma muda de arrependimentos. Roupas íntimas e meus segredos mais íntimos. Maquiagem para disfarçar minhas olheiras, e alguns sorrisos falsos para disfarçar minhas tristezas. Poucos vestidos e poucos medos. Nenhuma roupa de frio, sempre cálida, mesmo quando não quero ser. Minha passagem tinha horário de partida e de chegada, mas eu nem sabia se realmente queria partir e tão pouco onde iria chegar. Impresso no cartão de embarque constava à cidade de destino. Destino? Quem me dera saber o meu. Ainda não sei. Sempre atirada à sorte... Viajei para longe... Muito longe... Tão perto. De que adiantou tantos quilômetros, se eu fiquei lá. Meu coração perdeu aquele avião. Mas embarcou no horário seguinte e finalmente se juntou ao restante de mim. Sim, o resto de mim. Só ele já é mais do que realmente sou. E todo o resto é apenas resto. Tive medo que ele se recusasse a me acompanhar. Mas meu coração sabe que tenho razão, e que todas as vezes que fujo de mim, que fujo dele, é sempre para o nosso bem. Foi indescritível vê-lo chegando vagarosamente, sorrateiro... Mas eu já sabia que ele havia chegado, e que iria ficar. Agora já posso voltar. Já não preciso fugir de mim. Fugir de nada. Agora qualquer lugar é lugar. Porque estou inteira novamente. Livre!

Bárbara Romanelli

terça-feira, 4 de março de 2008

Meu Nada



Meu Nada


Esqueci-me de teu sabor.
De seu perfume não me recordo.
Não mais o amo.
Nem tão pouco o odeio.
Simplesmente nem o sinto.
Raramente lembro de ti.
São lembranças rápidas
Que passam em fuga.
Não me importa saber onde está.
Prefiro nem saber com quem.
Mas quero que saiba que você passou.
Que não penso mais em você ao me deitar.
Que não sinto sua falta.
Ora, ora!
Quão pueril ainda posso ser?
Tão indiferente...
Que ainda perco meu tempo,
Jogo fora meu talento.
Dedico-te meus versos...
Justo pra você?
Que não é nada!
O nada que ainda me ocupa espaço...


Bárbara Romanelli

domingo, 2 de março de 2008

Meu Novo Desejo

Boa noite! Como o próprio texto diz, não é o mais belo, mas é sincero em cada verso. Está fresquinho! Hoje foi um dia importante. Um divisor de águas. Embora eu saiba que ainda não é o certo (mas quase sempre quero o que é errado! Rsrsrs!), me libertou do que era ainda mais tortuoso. E como disse Osho: “Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar... Apesar de todas as conseqüências." Seguirei à risca suas recomendações. Ainda mais no meu caso... Que raramente "vibro" por alguém. Ainda mais esse tanto! Rsrs! Não. Tentarei evitar... Mas possivelmente será inútil... Essa foi forte! Vidinha irônica... Se diverte comigo né?! Pode até não ser o adequado, mas foi quem fez meu coração vibrar... E não foi pelo que ele tinha nas mãos... Mas vamos deixar isso pra lá! Ai ai... Já vi tudo... Pagar pra ver ou não? Eis a questão... Rsrsrs!


Meu Novo Desejo


Esse não será meu poema mais belo.
Talvez o mais impetuoso de todos.
O menos ensaiado.
Com você não houve ontem.
Ainda não houve nada.
Você, meu acaso mais suplicado.
Alguém que me tirasse aquela dor.
Pedido atendido.
Meu novo desejo.
Cinco segundos.
Não mais que isso.
Somente nossas mãos se tocaram.
Mas pude sentir seu corpo inteiro.
Uma troca de energias.
Seus olhos refletidos nos meus.
Fixos, profundos.
Como eu esperava que fossem.
E aqueles cinco segundos foram infinitos.
E nada mais importava.
E não havia mais nada.
Nem uma palavra foi dita.
Naquele instante tive a certeza que te queria.
Tão quanto você me quer.


Bárbara Romanelli

sábado, 1 de março de 2008

Citações de Grandes Escritores


Boa tarde!


Hoje, vou fazer diferente. Postarei citações de alguns escritores que eu admiro. A primeira frase é de minha autoria, e a tenho tatuada nas costas. Tomei a liberdade de incluí-la nessa seleção, não por me considerar uma grande escritora (quem me dera!), e sim pelo que essa frase significa e representa pra mim. Me marcou por diversas vezes, me feriu e me deu forças em tantas outras... Algumas pessoas a adotaram, fico lisonjeada com isso. Uma outra pessoinha (no sentido mais literal da expressão) “assumiu” a autoria. Só me resta rir, ainda mais se tratando de alguém que escreve “certeza” assim: “serteza”. Rsrsrs! É muito triste quando alguém não tem brilho próprio, e não se preocupa em tê-lo. Contenta-se em furtar o que é dos outros, mesmo que não possa levar consigo. Essa mediocridade é deprimente. Como pode alguém sentir-se preenchido vivendo em um mundo de ilusão? Fingindo ser o que não é? Ai ai... Enfim vamos ao que interessa! Espero que gostem!



“Amanhã será tudo diferente... Mesmo que pareça sempre tão igual.”
Bárbara Romanelli
"Aflição de não ser a grande ilha que te retém e não te desespera...
Não saber se se ausenta ou se te espera. Aflição de te amar..."
Hilda Hilst
“A generosidade não está em dar-me aquilo que eu preciso mais que você, mas em dar-me aquilo de que precisas mais do que eu.”
Gibran Khalil Gibran


“O meio termo é o status da covardia”
Raul Pompéia


"O homem que volta a banhar-se no mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio e nem o homem é o mesmo homem."
Heráclito


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada".
Clarice Lispector


“O amor está mais perto do ódio do que a gente geralmente supõe. São o verso e o reverso da mesma moeda de paixão. O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença...”
Érico Veríssimo


"Meus pés vão pisando a terra que é a imagem da minha vida: Tão vazia, mas tão bela, tão certa, mas tão perdida!"
Cecília Meireles


"A vida tira as folhas secas para as novas virem a nascer... Espera e aguarda o novo, caminhar para trás é retroceder”.
Carolina Salcides


"Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma."
Ricardo Reis


"A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, como o vento apaga as velas e atiça as fogueiras."
Machado de Assis

"Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar... Apesar de todas as conseqüências."
Osho

“Nada neste mundo é totalmente errado... até um relógio parado fica certo duas vezes ao dia."
Paulo Coelho

"Se eu amo meu semelhante? Sim. Mas ondre encontrar meu semelhante?"
Érico Veríssimo


"Nenhuma mulher é linear quando tocada pela faísca da loucura. E, no meu caso particular, a loucura, além de morar ao lado, usa frequentemente meu telefone."
Bruna Lombardi


"Quem és? Pergunto ao desejo. Respondeu: lava. Depois pó, Depois nada. "
Hilda Hilst

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O Guardião

Já faz um tempinho que escrevi "O Guardião". Nesse tempo que se passou, muita coisa aconteceu. Muita coisa mudou. Hoje meus desejos e anseios são outros. Vi que meu "guardião" não tinha asas como esse da foto. Na verdade ele passa beeeem longe de qualquer semelhança com um anjo. Rsrsrs! Mas acho esse texto bonito, então decidi postá-lo para vocês. Espero que seu guardião realmente zele por você!





O Guardião

Nossas promessas viraram orvalho,
Perdidas entre a noite e o amanhecer.
Fez em pedaços esse amor ainda inteiro, intenso.
Imagem prisioneira da paixão
Embargada em minha garganta
Escondida em meu medo
E reclusa nesse minuto infinito.
Alcei vôos distantes e altivos...
Busquei amores vãos,
Paixões aflitas e vazias...
Ardores levianos e fugazes.
Acreditei em heróis que não sabiam voar.
Queimei em incêndios frios...
Liberta minha alma!
Aprisionada em meus próprios erros.
Deixe minhas mentiras leves como o vento...
Traz a chave que abre o baú do tempo,
E zela por nós.
Outra vez...


Bárbara Romanelli

Liberte-se do Passado




Liberte-se do passado.
Deixe-o partir.
Cresça.
Esqueça o orgulho.
Não se pode vencer sempre.
Não lute consigo mesmo.
Se permita ser frágil.
Todo mundo é em algum momento.
Liberte-se das amarras.
E de seus fantasmas.
Não busque justificativas.
Às vezes não há motivos, nem razões.
Não se culpe por não ser forte o bastante agora.
Em pouco tempo você vai ser.
Mergulhe em você.
O mais fundo que puder.
Veja o que você não quer enxergar.
Aceite verdades inegáveis.
Não tente se enganar.
Tenha força para lutar.
Tenha mais força para desistir.
Desista de tudo que for nada.
Esqueça os conselhos.
Não se esqueça de você.
Sinta a dor.
Deixe-a te rasgar.
Só assim ela irá partir.
Lave mágoas com lágrimas.
Esqueça lutas perdidas.
Prepare-se para novas batalhas.
Muitas ainda estão por vir.
Vença seus medos.
Não há coragem se não houver medo.
Encontre o que você procura.
Mas antes, descubra o que você procura.
Tenha paciência com o tempo.
Mesmo que ele demore a passar...
Viaje sempre que puder.
Permita-se novas experiências.
Viva aquele momento.
Mas não reviva lembranças.
Isso só vai te fazer sofrer.
Respire a liberdade.
Sinta a vida.
Dê valor a ela.
Deixe o vento te levar...
Deixe que a vida te leve...
E esteja sempre preparado.
O amanhã chegará a qualquer momento.
E todo o seu presente será apenas parte do seu passado.
Bárbara Romanelli

Bem-Vindos!




Bem, não sou mais que uma aspirante, admiradora do poder das palavras. Embora eu escreva para revistas e jornais, e sinta-me à vontade em meio a tantos textos, está sendo complicado dar esse passo. O tal blog. Rsrs! Sim, porque um blog acaba sendo uma exposição real e palpável de tudo o que você pensa, sente, e é, enquanto individuo. Afinal, se não houver verdade, intensidade, e entrega, não há propósito de se criar um. Fui encorajada a fazê-lo por uma grande amiga, a jornalista Marta Reimberg. E acho que talvez, esse seja realmente o momento. O blog para um escritor, é um desafio ainda maior, penso eu. É um desabafo. Uma confissão para si próprio, compartilhada com outras pessoas, que muitas das vezes, vão se ver traduzidas através daquelas palavras. Espero que aqui, você veja mais que meras postagens. Que encontre fragmentos do reflexo de sua própria alma.
O grande fascínio das palavras escritas, é que ficam eternizadas. Diferente das palavras simplesmente pronunciadas, que se perdem na memória, no passar do tempo. Que podem ser contraditas, manipuladas, esquecidas... Quando são registradas, mesmo que você mude, que o tempo e as pessoas passem, que seus valores se transformem, você pode pegar sua agenda de anos atrás, reler seus rabiscos, antigas cartas de amor, e-mails datados de não sei quando... E tudo estará lá do mesmo jeitinho, e você vai se lembrar de quando escreveu aquilo, e o porquê. Ou então se lembrará de quem te enviou aquele e-mail e se perguntará onde aquela pessoa está, caso já tenham se perdido. Vai se lembrar com um sorriso nos lábios, das lágrimas que você derramou sobre aquele papel... E toda lembrança será por muitas vezes um misto de saudade e nostalgia, em outros casos de superação e alívio. Isso faz a vida ter sentido. Saber que sempre existirá um amanhã. É isso que nos faz querer viver os momentos bons com garra e intensidade, e é essa mesma certeza que nos faz ter força para superar os momentos de dor e desilusão.
Então, bem vindos ao meu novo refúgio. E que ele seja o seu também!


Bárbara Romanelli